Guylain tem uma profissão que qualquer amante da literatura iria odiar - ele manobra uma máquina gigante que tem como objectivo esmagar, quebrar, e tornar uma massa os livros velhos e fora de uso, destruindo as palavras, o conhecimento e a beleza efémera daquelas letras.

Tendo pena de ver os livros morrer, ele vai surripiando algumas páginas e lê-as em voz alta, todos os dias, no comboio que o traz e leva a casa. Como se senta sempre no mesmo lugar, os outros passageiros já o conhecem e sabem que vão poder ouvir a declamação, que tanto pode ser de um livro de História, de receitas ou um romance tórrido. O conteúdo não importa a Guylain - apenas fazer viver os livros mais um pouco, partilhando-os com a sua audiência no transporte público.

Apesar da intervenção em público que efectua diariamente, Guylain não é dado a actividades sociais e até é tímido, tem poucos amigos, e a sua única companhia efectiva é um peixe vermelho. Um dia, quando puxa o banco rebatível onde se costuma sentar no comboio, uma pen drive cai ao chão e ele guarda-a. Quando, mais tarde, consulta o conteúdo em casa, descobre um conjunto de textos escritos por uma mulher. Ele bebe as suas palavras e mergulha nelas como nunca havia feito com nada. Então, o homem tímido e solitário encontra um propósito - a busca por esta mulher, de quem pouco sabe, mas por quem se apaixona através dos seus escritos cómicos e sinceros.

É um livro que, apesar de ter algumas tragédias à mistura, é leve e divertido na sua essência. As personagens são interessantes e a premissa agarra logo à partida. Todos nos conseguiríamos colocar na pele de Guylain, e sentir a sua dor ao destruir os livros; e todos aplaudiríamos a sua iniciativa de ler os seus restos em voz alta no comboio num acto extremamente poético. O livro peca exactamente na sua simplicidade - é tão positivo e leve (apesar da sombra da destruição literária) que sabemos que vai correr tudo bem.

Lê-se muito rapidamente e para quem adora livros sobre livros, livros dentro de livros, e se procura uma história divertida, ternurenta e deliciosa, este é para si.

O Leitor do Comboio
De: Jean-Paul Didierlaurent
Ano: 2015
Editora: Clube do Autor
Páginas: 196

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Hoje é o dia mundial do livro! Aproveitem bem o dia - que é o mesmo que dizer: LEIAM MUITO! 😄


Um conselho da Manda de Histórias, e nosso também! 💚😃



Corre o ano de 1857 e a moral do capitão Abner Marsh já viu melhores dias. Homem do rio, com um grande amor por este, é dono de uma empresa de barcos a vapor mas devido a vários azares viu a sua frota reduzida a apenas um pequeno barco. Um dia, é abordado por um aristocrata abastado, Joshua York, disposto a ser seu sócio e financiar a construção do maior e mais belo barco que as águas já viram.

O capitão fica dividido - por um lado, aquela é a oportunidade de se reerguer e de ser o orgulhoso co-proprietário do melhor barco do Mississipi, que é um sonho tornado realidade; por outro, aquela oferta generosa terá decerto água no bico. Joshua York pede apenas em troca que sejam facultados camarotes para alguns amigos que subirão a bordo durante as viagens e que Abner não faça perguntas sobre os seus hábitos estranhos.

A exigência não pareceu descabida ao capitão, e o acordo é selado. Depois de construído, o barco é baptizado de Fevre Dream e começa então o transporte de mercadorias e de passageiros, tornando-se um grande orgulho para o respeitado capitão, que agora tem um barco à altura da sua reputação e profissionalismo.

No entanto, a estranheza do seu sócio começa a tornar-se incómoda. Apesar de lhe ter sido pedido para não fazer perguntas, os hábitos de Joshua York começam a levantar questões entre toda a tripulação. Ele nunca sai do seu camarote durante o dia, e por vezes ficam semanas à espera que ele regresse das suas incursões nocturnas pelas cidades, deixando os passageiros nervosos com a demora com a retoma da marcha. Para além disso, os "amigos" que vai trazendo para o barco são estranhos e numa das suas aventuras nocturnas reaparece manchado de sangue.

Marsh vê-se obrigado a confrontar o seu sócio e é apresentado a uma realidade sinistra e a um problema muito maior do que à primeira vista poderia parecer. A sede vermelha existe, o povo da noite anda pelo mundo desde há séculos alimentando-se do sangue e da beleza humanos.

Nunca tinha lido nada do George R. R. Martin para além da saga Game of Thrones e ficou-me provado que o autor é muito mais do que a cara por trás de Westeros. Este Sonho Febril é dos melhores thrillers / suspenses que já li. É sério, algo assustador, surpreendente, com a estrutura certa. Tal como esperado quando se conhece o autor, as personagens são imensas mas nem por um momento ficamos confusos. Tem acção, corridas, lutas, mortes, segredos, e apesar de ter o sobrenatural como tema nem por um momento duvidamos da veracidade do que lemos - é preciso muito talento para um autor conseguir isso.

É daquelas leituras que não conseguimos parar e aproveitamos todos os momentos para ler mais um pouco. Um drama histórico que explora a figura mitológica do vampiro com uma abordagem original. Recomendado.

Sonho Febril
De: George R. R. Martin
Ano: 2004
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Em 1978: John Rothstein é um escritor que, apesar de odiado por muitos, é considerado genial, e agora vive em reclusão e não publica há muito tempo. Morris Bellamy é um admirador perigoso, que vai assaltar a casa do escritor e acabar por matá-lo, roubando o (pouco importante) dinheiro do cofre e uma quantidade enorme de cadernos manuscritos. Esses, sim, são o orgulho de Morris, que pretende, primeiro, lê-los e tornar-se o leitor mais privilegiado do planeta, e depois vendê-los a um preço exorbitante.

Acontece que o negócio corre mal e Morris percebe que tem de aguardar algum tempo até que possa vender os livros em segurança, acabando por escondê-los num local perto da sua casa. Só que, para seu enorme azar, é condenado a prisão por outro crime que cometeu num momento de fraqueza.

Em 2009: Pete Saubers é um adolescente cuja família foi atingida pela recessão e pelo azar - o seu pai é uma das vítimas do assassino do Mercedes (primeiro livro desta saga) e ficou com profundas fragilidades físicas; a sua mãe foi obrigada a reduzir o seu horário de trabalho, e portanto, todos eles, e a irmã, tiveram de ir morar para outro local mais em conta. No decorrer de mais uma discussão dos pais, Pete afasta-se de casa e caminha sem destino, e acaba por encontrar a arca que contém o dinheiro e os cadernos de Rothstein. Vê nestes uma solução para os problemas da família e, sem contar a ninguém, vai engendrar um plano que os beneficia.

Em 2014: Morris sai da cadeia e o pensamento que o manteve vivo foi saber que tinha aquele prémio à sua espera. É claro que teve a desilusão da sua vida quando encontrou a arca vazia. A sua fúria e desilusão vão torná-lo imparável numa busca desenfreada e mortal...

Este é o segundo livro da trilogia que tem Bill Hodges como investigador. Neste, ele entra em cena quando Pete já está em perigo, portanto, numa fase mais adiantada da narrativa. Para mim, não é uma história tão impressionante como a anterior (ver aqui). É interessante e Stephen King sabe prender-nos como ninguém, mas não é tão surpreendente, emocionante e inesperada como habitual. Aliás, os melhores momentos de suspense têm que ver com o livro anterior e com a relação doentia de Bill com o assassino do Mercedes.

No entanto, um ponto bastante positivo decorrente do facto de se estar a falar essencialmente dos trabalhos roubados de um grande escritor, é o facto de nos serem apresentadas imensas curiosidades sobre literatura, o negócio livreiro, dicas sobre livros e autores e citações míticas. E é claro que os leitores ávidos irão apreciar estas dádivas.

Como sua fã incondicional irei ler o capítulo seguinte desta saga, mas aguardo ansiosamente um registo mais ao estilo do velho Stephen King, daqueles de fazer arrepiar a espinha.


Perdido e Achado
De: Stephen King
Ano: 2015
Editora: Bertrand
Páginas: 392

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Ove é um homem rabugento e de parcas palavras. Um homem à moda antiga, que gosta mais de meter a mão na massa para arranjar um carro ou um electrodoméstico do que cumprimentar o vizinho do lado. Até é capaz de meter a cabeça dentro do motor para não ter de lhe falar.

Diz que já o chamaram de anti-social mas ele não quer saber de rótulos. É uma pessoa simples que acha que os homens se medem por aquilo que são capazes de construir com as próprias mãos e odeia tudo o que a modernidade representa - os jovens que só ligam aos estranhos aparelhos e que nem são capazes de mudar a corrente de uma bicicleta; as pessoas que compram tudo feito ou que pagam para lhes fazerem tudo (até uma coisa tão simples como montar um móvel!); as aventesmas que compram banheiras americanas com mudanças automáticas (como se isso fosse conduzir!).

É daquele tipo de pessoa que é capaz de escrever centenas de cartas à Câmara para impedir que alguém do bairro coloque janelas novas que sejam diferentes das restantes moradias e que nunca mais mete os pés no café por uma vez se terem enganado no troco, nos idos anos 90. É irascível, mas como devem imaginar, é super cómico.

Por trás da rabujice, do cenho constantemente cerrado, dos maus modos com que trata toda a gente e da aparente falta de sensibilidade, Ove encerra uma história comovente. Esta começa quando percebemos que a sua mulher morreu, e vamos encontrando capítulos que recuam no tempo e nos explicam como foi construído o carácter deste homem, que hoje é quase como um bloco de cimento.

A história vai funcionando assim, mostrando-nos fragmentos do passado enquanto a narrativa presente se desenvolve e nos apresenta as pessoas que fazem parte da sua vida e que vão ganhando o seu respeito e amizade. E assim, este homem que planeava tirar a sua própria vida por já não lhe ver um propósito prático, vê-se rodeado de pessoas (e de um gato) que ainda precisam dele, apreciam o seu talento e que o valorizam mais do que ele alguma vez poderia imaginar.

Este livro foi uma surpresa excelente. Pôs-me a rir a bandeiras despregadas mas também me fez soltar uma lagriminha. De uma forma bastante simples - que é essencial, pois todos conhecemos um Ove e assim conseguimos colocá-lo na nossa realidade - mostra o impacto que podemos ter na vida dos outros, mesmo nas coisas mais singelas. É leve, encantador, cómico - uma leitura perfeita para desanuviar de coisas mais pesadads. Mal posso esperar por ter outros trabalhos do autor sueco.

O livro deu origem a um filme com o mesmo nome, em 2015, que foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro. Desconhecia, mas agora que li o livro está no topo das minhas prioridades. Recomendadíssimo.

Um Homem Chamado Ove
De: Fredrik Backman
Ano: 2014
Editora: Editorial Presença
Páginas: 312

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Vão fechar mais três livrarias históricas no centro de Lisboa. Isto é triste, muito triste, e dá-nos vontade de chorar. Com a atualização de rendas impossível de suportar e o consequente despejo por parte dos senhorios, as livrarias Trindade, Campos Trindade e o Centro Antiquário do Alecrim vão fechar portas.

Com mais de 30 anos de actividade, as livrarias vão ter de fechar até setembro. Portanto, tem até lá para fazer uma visita de despedida. Também é uma despedida do comércio tradicional, que desapareceu quase completamente, em nome do capitalismo desmedido, da exploração máxima da nossa capital que virou moda. E não há problema nenhum com o facto de estar na moda - simplesmente, quando virem que já não é uma cidade tão tradicional e com costumes tão enraizados, vai deixar de o ser. E aí, será demasiado tarde.

O carisma está a desaparecer do centro de Lisboa. A nossa identidade, a verdadeira tradição, a cultura. A cidade está vergada a uma única actividade - o turismo. Temos muita pena.

Saibam mais aqui.

O Sr. José é um auxiliar de escrita na Conservatória do Registo Civil. Aqui, encontram-se todos os nomes que existem, existiram e os que ainda não existem também virão cá parar. Os arquivos dos vivos estão paredes meias com os dos mortos e as atribulações principais da vida de cada um estão agrafadas ao comprovativo do nosso nascimento - o casamento, divórcio, e a morte.

Com uma vida simples e monótoma, um magro salário, solteiro, e com uma casa singela mas que divide paredes com a Conservatória, o Sr. José tem um passatempo - ele colecciona os verbetes da vida de alguns famosos. Quando ninguém está a ver, copia os dados do nascimento e de eventuais casamentos de algumas dezenas de pessoas célebres, construindo uma colecção de dados pessoais que é o seu orgulho secreto.

Um dia, quando estava a copiar os dados de um bispo, um verbete veio agarrado a este. Era uma mulher de trinta e tal anos, e o Sr. José determinou que isto não era acaso. Ficou com o nome dela na cabeça e não conseguiu evitar tentar saber tudo sobre esta mulher. Nem o próprio encontrou explicação para esta súbita necessidade e para o desejo assolapado de saber quem era, como estava, o que fazia. Curiosamente, não escolheu o caminho mais fácil - ir à lista telefónica e contactá-la. Pelo contrário, enveredou por caminhos que se tornaram a maior aventura que já havia vivido.

Ele quebrou as leis, invadiu espaços, falsificou documentos, inventou mentiras e desculpas - tudo coisas que nunca havia feito nos seus 50 e poucos anos de vida e que não caracterizavam a pessoa pacata que ele era. Tudo por um nome de uma mulher que lhe apareceu à frente e que tomou conta da sua sanidade.

Saramago é simplesmente um génio. Esta história é trágica, cómica, é bem-humorada, também triste, tem diálogos surreais e fantásticos. O Sr. José é um de nós, um homem trabalhador e obediente que um dia tem uma epifania que tudo muda. Conseguimos facilmente criar laços com a personagem e acabamos a torcer pelo Sr. José como se também a nossa vida estivesse envolvida na sua aventura de investigação. Observamos com humor as conversas que tem consigo próprio, como todos nós fazemos, mas pôr isso no papel de modo natural é a parte difícil que Saramago domina.

A crítica está sempre presente, fulminando como um raio a burocracia, a nossa subserviência cega à autoridade, a rotina e a falta de discussão de ideias e métodos, e ainda nos coloca a divagar sobre a vida e a morte. O ritmo é alto, quase como se se tratasse de um policial, onde está sempre alguma coisa a acontecer e onde o suspense e o mistério também entram, aumentando a nossa expectativa até ao fim.

Acima de tudo, acabamos o livro a pensar exactamente naquilo que o autor queria: sabemos o nosso nome mas não o conhecemos, não fazemos ideia do que ele faz de nós, desde o nascimento à morte.

Todos os Nomes
De: José Saramago
Ano: 1997
Páginas: 280
Editora: Porto Editora

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Hoje é o Dia Internacional da Poesia! Um bem-haja a todos os poetas, vivos ou mortos, que contribuem para a beleza da palavra, que cantam a vida e a morte, e a natureza, e o amor, que compõem as mais belas frases, que conjugam, explicam, inspiram! E já que a Primavera também chegou, aqui fica um poema de Alberto Caeiro, "Quando Vier a Primavera".

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
David Kapesh é o narrador desta história - um homem de 62 anos, professor, e conta com uns minutos por semana na televisão nacional. Ora estes minutos de exposição abrem o apetite das suas estudantes vorazes que, no entanto, têm de esperar pelo código moral do professor, que o inibe de estabelecer relações com elas enquanto mantêm uma relação profissional.

Isto não o impede de se divertir à grande, estabelecendo jogos de sedução com as alunas que se babam pela sua notoriedade, inteligência e arrojo. Até aparecer Consuela. Quando a aluna de 24 anos aparece na sua vida ele vê imediatamente que é diferente das demais - a sua postura é madura, carrega uma humildade graciosa, uma beleza natural, uma intrínseca e honesta vontade de agradar sem se degradar e, acima de tudo, tem o melhor par de mamas em que David já pôs a vista em cima.

Este homem, que até então não tinha problemas em coleccionar mulheres e em levar uma vida promíscua sem amarras, vê-se colado à imagem de Consuela e esta passa a habitar os seus pensamentos dia após dia, ao ponto de sentir, pela primeira vez na sua vida, ciúmes.

Nem tudo são rosas e mulheres jovens e bonitas na vida de David. Vamos sabendo mais pormenores da sua vida ao longo da narrativa, como a inexistente relação com o filho de 42 anos. Este nunca perdoou o pai por ter abandonado a família quando ele era pequeno, sob o pretexto de que não conseguia viver com qualquer tipo de amarras. No entanto, agora procura o pai por ter problemas similares... Conhecemos também o seu melhor amigo, com o qual tem um comovente momento lá mais para o fim.

Este é talvez o livro mais arrojado que já li de Philip Roth. É preciso alguma abertura para desfrutar da leitura. Há depravação sexual, são levantadas questões morais, é perverso, tem bastante humor negro, e trata de temas tão diversos e emblemáticos como a revolução sexual, a liberdade individual, a mortalidade, o sacrifício ou a repressão. É, ao mesmo tempo, hilariante e grotesco, revelador e desconfortável.

Dentro desta história cuja superfície é de um professor que gosta de se meter com jovens estudantes, leva-se muito a sério o envelhecimento, as escolhas que fazemos e que são influenciadas por inúmeros factores - e quase nenhum deles é inteiramente nosso -, a luta entre o bem e o mal, que culmina, sempre na nossa morte, na morte do animal, perpetuamente moribundo desde que nasce.

O Animal Moribundo
De: Philip Roth
Ano: 2001
Páginas: 142
Editora: BIS

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.