Com esta opção, nunca se está mal acompanhado...


Ah pois é... esta até já me calhou. Ficarem indignados por eu pegar num livro, e depois não tiram os olhos dos telemóveis! Que lata! Mais valia pegarem em livros também...





Ora aqui está um clássico intemporal imperdível. O livro, lançado em 1842, conta a história de Júlia em várias fases da sua vida. Está dividido em seis partes, cada uma correspondendo a uma idade e fase desta mulher que carrega em si um peso enorme do início ao fim.

Contrariando os conselhos do pai, casa com o homem errado
Ainda era uma jovem quando se apaixonou pelo coronel Vitor D´Aiglemont. Contra todos os avisos do pai, que tentou por todos os meios dissuadi-la de o fazer, acabou por casar com ele, e não demorou muito até dar razão ao progenitor. Viu-se presa num casamento sem cor com um homem de integridade duvidosa que não fazia o mínimo esforço para compreender a mulher.

Um jovem inglês misterioso aparece na sua vida
A um certo momento, um jovem inglês aparece na vida de Júlia, que fica lisonjeada por aquilo que parece ser um interesse romântico por ela, mas nada ela pode fazer, afundando-se num sentimento de obrigação e lealdade perante o marido. Infeliz, prossegue a sua vida até o inglês aparecer de novo, desta vez tornando-se um amigo da família e, como tal, mais perto do coração de Júlia.

A vida de Júlia prossegue com um grande peso
Os anos vão passando, Júlia e o marido vão-se evitando, mudam várias vezes de local devido às exigências da guerra, e até acabam por ter filhos. Mas vivendo vidas cada vez mais separadas, Júlia apaixona-se novamente por outro homem, mas uma grande desgraça vai bater-lhe à porta, atirando-a ainda mais para o abismo e nada parece fazê-la conseguir sorrir de novo. Vemos as décadas passar por esta mulher à medida que os filhos vão crescendo e algumas pessoas à sua volta vão desaparecendo.

Gosto destas histórias trágicas e que retratam tempos bem diferentes daqueles que vivemos. Aqui, principalmente, quando a mulher era abalada pela infelicidade mas escolheu uma vida recatada, calma e serena, aceitando a sua depressão, fazendo esta já parte da sua personalidade. As descrições, tanto dos vários cenários, das casas, das roupas, e também, claro, dos sentimentos, são de um realismo fantástico e raro. A narrativa é densa mas nunca baixa o ritmo, pelo que não se torna cansativa.

A nota final tem de ser dirigida ao foro psicológico desta personagem feminina, numa abordagem rara em que esta é vítima mas ao mesmo tempo a culpada da sua depressão. Punindo-se a ela primeiro, e aos que a rodeiam depois, carrega uma aura de mártir desnecessária que nem a sua beleza consegue esconder.

A Mulher de Trinta Anos
De: Honoré de Balzac
Ano: 1842
Editora: Difel
Páginas: 180

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

O Centro Nacional de Cultura abraça mais uma edição do projecto Disquiet, que traz ao nosso país cerca de 90 escritores norte-americanos que, durante 15 dias, vão participar numa Universidade de Verão onde os autores vão ter "um contacto tão abrangente quanto possível com diferentes aspetos da cultura portuguesa, destacando naturalmente o literário, dando-lhes assim a oportunidade de conviver com escritores e poetas lusófonos de diversas gerações, instituições ligadas à cultura portuguesa, etc.”, segundo o CNC.

Esta iniciativa fantástica conta também com autores portugueses convidados como José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares e pretende aproximar as culturas, possibilitando aos visitantes a oportunidade de criar laços e desenvolver conhecimentos que serão uma mais-valia evidente para a criação literária.

Saibam mais sobre o Disquiet 2017 no site oficial do CNC e aproveitem para conhecer melhor os escritores e formadores convidados, os eventos paralelos e o programa completo de dia 25 de Junho a 07 de Julho. Visitem também o site oficial do Disquiet que é puramente brilhante. 


Esta publicação nasce do amor que sinto por esta música e como uma homenagem ao autor Manuel Alegre que, finalmente, depois de décadas a cantar a liberdade nos seus versos foi honrado com o Prémio Camões. Parabéns ao poeta, aqui cantado na voz de Carlos do Carmo. Eterno.

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarras nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Eu cá não acredito em coincidências :P



Livros nunca são suficientes, pá!


É ou não é? :)

Ele pode ter feito cocó no sapato... mas quem é que consegue ficar zangado com esta carinha linda? Este livro reúne cartas do cão Doggie para os seus donos que o adoram, a desculparem-se pelas asneiras que fazem. Foi escrito pelo comediante Jeremy Greenberg e contém 50 cartas acompanhadas com fotos que, apesar da estranheza, aposto que são super amorosas!

Disponível na Amazon.



João Melo, escritor e jornalista angolano, oferece-nos neste livro uma série de pequenas histórias que têm como protagonistas homens comuns, que à partida não teriam nada de assinalável para serem os actores principais de história alguma.

Mas acontece que é na normalidade que se escondem segredos de várias ordens, e é-nos mostrado, por A mais B, que cada um deles, assim como cada um de nós, somos merecedores da atenção. São-nos revelados pormenores das suas vidas com muito humor negro, descrições super cómicas e situações inusitadas que revelam estes seres, à partida, envoltos em normalidade. O nome do livro advém da primeira história do livro, sobre o homem que não tira o palito da boca, esse protagonista que mais tarde ou mais cedo todos encontramos na nossa vida, que nos causa um misto de repugnância e curiosidade...

A escrita é muito assertiva mas cheia de estilos; bastante explicativa, perfeccionista e requintada, explorando vários temas pertinentes e eternamente actuais, em especial na realidade Angolana - a família, o dinheiro, o racismo, a prostituição ou a indecência. Nem Portugal escapa às críticas, sendo mencionado mais do que uma vez...

Um livro para descobrir de alma aberta, mascarado como uma brincadeira, mas que denuncia e incomoda na sua ironia permanente.

O Homem Que Não Tira o Palito da Boca
De: João Melo
Ano: 2009
Editora: Caminho
Páginas: 176

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.